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“Sobre o Silêncio e a Criação”



Não preciso de público. Nem de palco. Muito menos de aplausos. Não escrevo, pinto ou crio por vaidade, tampouco para agradar os olhos famintos de um mundo que corre atrás de luzes artificiais. O que faço nasce do silêncio, e no silêncio permanece.


Não quero ser melhor nem pior que ninguém. Não miro em recompensas financeiras. O dinheiro é uma sombra que não alimenta a alma, apenas distrai o corpo. Também não sonho com crescimento pessoal ou material, essas palavras perderam o peso quando percebi que o “crescimento” verdadeiro é, muitas vezes, uma espécie de desaparecimento. A arte, para mim, é o contrário do que o mundo chama de sucesso. Ela é perda, é entrega, é solidão escolhida.


Eu não busco ser visto. Busco ver. Ver o que se esconde nas fendas da alma, nos intervalos entre uma respiração e outra, nas pequenas ruínas que todos carregamos disfarçadas de rotina. Crio porque preciso existir por alguns segundos fora de mim, e retornar com as mãos sujas de algo que só pode ser sentido, nunca explicado.


Talvez o que eu faça não toque ninguém. E tudo bem. Nem tudo o que nasce precisa ser admirado; algumas criações só querem respirar por um instante antes de voltarem ao esquecimento. E eu as deixo ir, como quem se despede de um sonho antes do amanhecer.

Não sou um homem de luzes, nem de metas. Sou de sombras, de calma e de um certo abandono. Prefiro a verdade que sangra a ilusão que brilha. Prefiro o erro sincero ao aplauso forçado. E se me virem sentado num banco de parque, de preto, com um olhar distante, não pensem que espero por alguém. Talvez eu só esteja ouvindo o mundo respirar, enquanto dentro de mim uma história, uma imagem ou uma voz começa, mais uma vez, a nascer em silêncio.

 
 
 

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